Não havia lata, rolo ou arquivo para a sessão da meia-noite. O projetor ligava sozinho às 23h58, aquecia, e a luz saía dele como quem lembra, não como quem lê.
Ícaro espiou pela janelinha da cabine uma única vez. Na tela, uma cozinha qualquer, uma mulher lavando louça em tempo real. Na terceira fileira, a mesma mulher, imóvel, assistindo à própria louça com lágrimas descendo. O relógio do filme marcava vinte minutos à frente do relógio da parede.